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Escrito por Administrator   

       No dia 1 de Fevereiro de 1930, no lugar de Fala, freguesia de São Martinho do Bispo, Coimbra, um grupo de jovens fundou o Vigor da Mocidade. Dizem os sócios mais antigos que a sobra de uns dinheiros da festa em honra de Nossa Senhora dos Remédios motivou esta ideia.

    A formação da colectividade terá sido impulsionada pelo despique com uma outra associação de seu nome Ateneu de Fala que seria constituída por indivíduos casados. Daí que os jovens Serafim Oliveira, António Arede das Neves, José Lemos Ferreira, António Lemos Pimenta, José de Lemos, António de Oliveira Júnior, José Maria Campos, Domingos Barroca, José da Silva Ferreira, Manuel Lopes Negrão, António Mano Pimenta, Luís Melo da Cruz e José Reis Pinheiro querendo demonstrar a sua força, formaram o clube com o nome Vigor da Mocidade, pretendendo provar a energia, a pujança e a valentia própria dos jovens, daí o nome que resolveram dar à colectividade. Sete meses depois da ideia eram registados no governo Civil de Coimbra, os estatutos do clube. 

No sentido de cumprir à risca a ideia que originou a formação desta agremiação, inicialmente não era permitida a adesão de sócios que não fossem solteiros, e era mesmo condição essencial para poder ambicionar a um cargo de direcção no clube. 

 No princípio do século XX, os clubes começaram a despontar um pouco por todo o país. Estas colectividades começaram  a ser os espaços privilegiados para o entretenimento.

O Vigor, como carinhosamente todos nós lhe chamamos, foi, também uma colectividade vocacionada para o entretenimento social, dinamizando bailes, matinées, teatro, campeonatos de sueca, torneios de malha, o jogo da pela  e momentos de convívio social, aos fins de tarde e fins de semana. Agremiados os primeiros sócios, instalou-se a sede social na casa do benemérito Dr. Fernandes de Oliveira, onde aliás se mantém actualmente. Após o seu falecimento, a sua ilustre esposa, em 1985, doou gentilmente a título definitivo, aquele espaço à colectividade.

   Desde cedo o Vigor despertou paixões. Em 1939, a D. Maria Dias Gonçalves, com catorze anos na altura, bordou e criou o emblema na bandeira. Esta tornou-se um símbolo da colectividade de tal forma respeitado, que tinha uma comemoração própria celebrada com um grandioso baile.

    O aniversário do clube é anualmente comemorado com a realização de um baile, o que se tornou uma tradição, onde, ao som do hino da agremiação, a referida bandeira é transportada majestosamente até o centro do recinto, pelo sócio mais antigo presente.

   O jogo da pela de larga tradição nas classes populares desde a Idade Média, era também muito apreciado em Fala. Na primeira metade do século XX, seria um dos principais divertimentos realizados, nestas redondezas, aos domingos. Este jogo tradicional, destinado à participação feminina, motivou a revista lisboeta, “A Esfera”, a fazer uma reportagem de um encontro disputado entre as equipas do Vigor da Mocidade e a Casa do povo do Povo de São Martinho do Bispo, em 1941.

Ao longo dos tempos o clube foi consolidando a sua relação com a localidade e reforçando a sua afirmação, em Fala. A sede era um ponto de encontro, com função filantrópica e verdadeiramente social. Estava ao serviço não só dos sócios, mas da população em geral. Foi lá que reuniu a comissão responsável pela restauração da capela setecentista de Nossa Senhora dos Remédios, em Fala, que estava em ruínas naquela época. Facto com que deparamos na notícia do Jornal “Diário de Coimbra”, de 4 de Junho de 1953. Ao longo dos tempos a sede recebeu sessões de esclarecimento, exposições, feiras do livro, reuniões de partidos políticos.

    O momento mais triste na vida do clube foi o fim de tarde de 9 de Junho de 1953. Um horrível incêndio destruiu a sede, deixando apenas de pé as suas paredes, segundo relata a notícia do Jornal “Diário de Coimbra” de 10 de Junho do mesmo ano, e também o dedicado sócio Sr. António Loureiro com quem falámos. Algo comovido contou-nos que ainda conseguiu retirar a Bandeira das chamas com a ajuda do sócio Sr. Joaquim Serrano. Contou-nos também que o sócio Sr. Basílio Baptista, mestre-de-obras, rapidamente formou uma equipa para proceder à restauração do edifício. Com a cal que transportavam da rua da que hoje se chama da Constituiçã, em apenas três meses conseguiram concluir a restauração. O magnífico feito foi comemorado com dois dias de Bailes, no mês de Setembro.

    Em 1958, o clube adquiriu uma televisão, o que transformou a sede num local de romaria. Àqueles que assistiam aos programas de televisão, nos serões e fins-de-semana era cobrada uma rifa que servia como meio de angariação de fundos.

     Nos finais da década de cinquenta começou a despertar o interesse pelo Futebol.  Surgem as primeiras equipas. Sem possuir campo próprio, o Vigor, participava sobretudo em torneios organizados por outros clubes, nomeadamente, no recinto de jogos de um outro clube da terra o Académico de Fala, era assim que era conhecido. Nestes torneios participavam clubes da freguesia como o “Esperança Atlético Clube”, o “Casaense”, a “Associação Desportiva de Fala” (Académico de Fala), o “Sporting Clube da Póvoa”, o “Real Pé-de-Cão” e outros clubes de fora, como o Ribeirense, o Santa cruz, o Cruzense, o Eirense entre outros.  O futebol desde sempre moveu grandes paixões, assim o clube lança-se na construção do seu campo de jogos, dando continuidade ao entusiasmo que crescia. Os sócios organizaram um cortejo de oferendas, que rendeu “35 contos”, o que foi muito bom para ajudar nas obras. Em 6 de Dezembro de 1964 é inaugurado o “Campo dos Sardões” e, no dia 14 de Agosto de 1965, o recinto de jogos era apetrechado com iluminação eléctrica. Deste modo, a participação em provas oficiais da Associação de Futebol de Coimbra, em 5 de Fevereiro de 1968, é o culminar natural deste percurso. O clube participa na II divisão distrital e no mesmo ano ascende à primeira divisão distrital, na qual se manteve até à época de 75/76. Na época 73/74 o clube participa nas provas da Associação, pela primeira vez com uma equipa de juniores, que mantém até 1977. Numa altura em que a Associação de Futebol de Coimbra possuía três divisões distritais, o clube viria a descer à terceira divisão na época 80/81. Na época de 83/84 ascende novamente a II divisão distrital, e mantém uma equipa de juniores durante duas épocas seguidas. Em 85/86, regista-se a primeira participação em provas oficiais com uma equipa de juvenis, apenas durante uma época. Na época de 86/87, o clube não participou nas provas da Associação de Futebol de Coimbra, viria a retomar a competição na época 87/88. E, em Maio de 1991, o clube comemorava a subida de regresso à primeira divisão distrital. Na época seguinte o desempenho é pouco brilhante, mas beneficiando da criação da actual divisão de Honra, o Vigor mantém-se na I divisão Distrital. Depois de uma passagem pela II divisão distrital, segue-se um ciclo vitorioso com uma subida à I distrital, em 1996, e a chegada à tão ambicionada Divisão de Honra, em 1999, onde se mantém actualmente, com um desempenho fantástico, ocupando o 2º lugar, bem perto do 1º classificado, espreitando a terceira divisão nacional. O clube na década de 90 apostou forte na formação desportiva, com diversas equipas de juniores. A consolidação da formação cresceu e, em 1999, surge a primeira equipa de iniciados que se torna nesse mesmo ano campeã de distrital. Um conjunto de miúdos brilhantes, que no ano seguinte e já no escalão de juvenis, alcança também o título de campeão distrital, o que leva esta mesma equipa, a disputar no ano seguinte, o campeonato nacional de juvenis.

     De então para cá a formação não parou mais e, na actualidade, 8 equipas dão vida e dinamismo ao clube, movimentando cerca de 250 jovens. O clube conta com uma Escola de Futebol criada em 2002 e reforçada, recentemente, em 28 de Agosto de 2004, com um protocolo de cooperação no âmbito da formação com Sport Lisboa e Benfica. Participa nas provas da Associação de Futebol de Coimbra, com equipas em todos os escalões.

  A intensificação da actividade futebolística, justificou os inúmeros melhoramentos feitos no recinto de jogos desde os meados da década 90 até ao Verão passado. Desde então, o campo dos sardões sofreu obras de nivelamento e drenagem; arranjo do acesso circundante, com alcatroamento; execução do gradeamento envolvente ao rectângulo de jogo; feitura de muros de vedação ao exterior; construção de uma agradável bancada e ampliação da iluminação eléctrica por duas vezes, entre outros pequenos arranjos que dignificam e abrilhantam cada vez mais a prática desportiva, no clube.

   O Futebol tornou-se no atractivo mais forte do clube. Mas não podemos esquecer as experiências no campo do folclore, na década de 70, com a criação do Rancho folclórico do Vigor da Mocidade, de crianças e adultos.

    O Teatro teve também grandes entusiastas, e foi criado um grupo cénico, no final da década de 70, que dinamizou a representação de diversas peças, na sede social do clube. Está ainda na retina de alguns sócios a peça “Justiça ou Vingança”, recriada recentemente pelos mesmos interpretes de há vinte anos atrás.

    Em 1978, teve início a construção do Pavilhão Gimno-Desportivo. Um velho sonho. A sua edificação foi uma verdadeira epopeia, deve-se na sua grande parte ao suor e lágrimas de alguns dedicados sócios, especialmente o Sr. Basílio Baptista e o Sr. António Loureiro. O projecto foi riscado pelo Sr. Engenheiro Jorge Baptista. O entusiasmo dos sócios era frágil perante a grandiosidade da obra. Os apoios tardavam em chegar. Mas ao longo dos anos 80 as paredes foram dando corpo ao sonho. Foi uma longa travessia até ao dia da sua inauguração, no dia oito de 8 de Janeiro de 2000, vinte anos depois do arranque. O pavilhão é hoje em dia uma das grandes mais valias da colectividade. Está muito bem equipado, onde se destaca o espaçoso ringue de jogos, o bar, os 7 balneários, as diversas salas de apoio e recentemente o excelente ginásio. É um espaço que serve a população e os sócios, na prática de futebol de recreação, ginástica de manutenção e noutras actividades que são solicitadas pela sociedade civil.

  Também a sede social do clube sofreu significativos melhoramentos ao longo da década de 90. Em 4 de Agosto de 1995, foi inaugurado um espaçoso Bar, após a apreciável iniciativa do sócio Sr. António Fonseca Pires, que impulsionou este projecto.

  Em 27 de Fevereiro de 1999 foi inaugurada a nova sede social sobranceira à primitiva, munida de uma confortável sala de reuniões e outras salas auxiliares.

  Do Vigor faz, ainda, parte a dinâmica secção de campismo. Foi criada em 1977, está vinculada à federação Portuguesa de Campismo e Caravanismo com o nº 379. Tem agregados cerca de 400 cartas o que equivale aproximadamente a 1000 praticantes de várias zonas do país e alguns estrangeiros. Destaca-se a sua primeira presença no 18º Acampamento Nacional realizado em S. Pedro de Moel; o acampamento regional em Montemor-o-Velho com organização da secção (cerca de 300 participantes); um grandioso acampamento no campo dos sardões em 1999 (cerca de 400 participantes), e, ainda, o acampamento comemorativo dos 25 anos da secção (cerca de 300 participantes) também no recinto de jogos do vigor e, ainda, um  o terceiro acampamento com 211 participantes.

   Em 2000, o Vigor abriu as suas portas à prática de uma nova modalidade, o Hóquei em patins. Foi constituída, uma secção para a sua dinamização. Neste momento cerca de 50 jovens de ambos os sexos praticam a modalidade repartidos por duas equipas de juvenis e infantis C.

  Um dos momentos de orgulho para os associados foi, sem dúvida alguma, o dia em que o Conselho de Ministros do Governo de Portugal, declarou o Grupo Recreativo Vigor da Mocidade como instituição de Utilidade Pública. A autenticação desta honrosa distinção, fez-se na publicação do Diário da República na sua II série, nº 2, 262, de 12 de Novembro de 2001. Este foi o reconhecimento pelo trabalho prestado à localidade, à freguesia e à cidade.

 
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